O Ministério Público Federal (MPF) cobrou nesta segunda-feira (28) explicações do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), sobre a operação policial que resultou na morte de 64 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense.
O ofício foi assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Julio José Araújo Junior, e também é subscrito pela Defensoria Pública da União. O documento solicita que o governo estadual detalhe:
a motivação da operação;
os custos envolvidos;
as medidas adotadas para garantir o cumprimento de decisões do STF que regulam ações policiais em comunidades;
e a justificativa para o uso da força letal em larga escala.
Entre os pontos destacados, o MPF questiona se havia alternativas menos gravosas para atingir os objetivos da operação e se foram respeitadas as diretrizes constitucionais em buscas pessoais e domiciliares. Também cobra informações sobre o uso de câmeras corporais por agentes e a presença de ambulâncias durante a ação.
A operação foi conduzida por forças de segurança do estado com o objetivo de combater o tráfico de drogas e enfraquecer a atuação do Comando Vermelho na região.
Segundo a Polícia Civil, entre os mortos estão quatro policiais. O número total de vítimas supera o da operação no Jacarezinho, em 2021, que deixou 28 mortos e até então era a mais letal da capital.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido do MPF. O governador Cláudio Castro, em declarações anteriores, defendeu a ação como necessária para garantir a segurança da população.


