Moisés Rabinovici*
Israel pôs fogo em 30 reservatórios de petróleo iraniano, na madrugada de domingo. As chamas, visíveis em Teerã, elevaram o preço do barril para US$ 120 e deixaram os mercados nervosos.
— Não foi uma boa ideia — disse um alto funcionário americano ao site Axios, de Washington.
Israel havia avisado aos EUA do bombardeio aos depósitos de petróleo, mas não sobre a sua extensão, que alarmou a Casa Branca. A intenção era advertir o Irã a não atacar a infraestrutura israelense.
“O presidente não gostou do ataque. Ele quer economizar petróleo. Ele não quer queimá-lo. E isso lembra as pessoas dos preços mais altos da gasolina”, disse um assessor de Donald Trump ao Axios.
A segunda semana da guerra no Irã se abre agora para um novo alvo das forças israelenses e americanas: o aiatolá Mojtaba Khamenei, eleito para suceder o pai, morto no primeiro ataque, há dez dias. O presidente Trump já o descartou como “inaceitável”, enquanto para Israel ele se tornou o alvo número 1 dos bombardeios da força aérea.

A primeira semana da guerra deixou mais de 1.200 iranianos mortos, entre eles cerca de 200 crianças e 200 mulheres. No Líbano, 394 pessoas morreram, incluindo 83 crianças, segundo o Ministério da Saúde libanês. Nos países do Golfo, 27 mortos. Em Israel, entre 11 e 13. Entre as tropas americanas, sete.
A guerra ainda não tem um fim previsível. Em entrevista por telefone ao jornal Times of Israel, Trump disse que vai encerrá-la “no tempo certo” — decisão que, segundo ele, será tomada em conjunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Mas há um detalhe curioso nesta guerra.
A República Islâmica nasceu cercada de uma expectativa quase messiânica. Parte de sua ideologia sempre sustentou que um confronto final com potências estrangeiras — especialmente os Estados Unidos e Israel — acabaria por ocorrer.
Para alguns de seus ideólogos, crises desse tipo não são apenas episódios da política internacional, mas sinais de uma história maior, ligada à expectativa religiosa do retorno do imã oculto, o Mahdi, cuja chegada, segundo antigas tradições xiitas, seria precedida por um período de caos e grandes guerras.
Talvez seja cedo para saber como terminará esta. Mas, no imaginário de uma revolução que sempre se viu como protagonista de um drama histórico e religioso, guerras como esta nunca foram vistas apenas como acidentes da história.
*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.





