O Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo registrou, nos primeiros três meses deste ano, 15 casos de contato com o Candida auris, conhecido como o “superfungo”. Um paciente de 74 anos, entre os casos identificados, veio a óbito, embora, segundo o hospital, a causa da morte não esteja relacionada à infecção pelo fungo.
A Candida auris se destaca pela resistência quase total a antifúngicos comuns, o que desperta grande preocupação entre especialistas em saúde pública. Diferente de outras espécies do gênero Candida, como as responsáveis por infecções comuns tratáveis com medicamentos de farmácia, o superfungo é extremamente difícil de combater. Sua capacidade de formar biofilmes protetores torna medicamentos como fluconazol, anfotericina B e equinocandinas muitas vezes ineficazes.
Além de sua resistência, o Candida auris apresenta características preocupantes. Pode sobreviver por meses em superfícies, como camas hospitalares e instrumentos médicos, sendo transmitido por contato direto com objetos ou pessoas infectadas. Apesar disso, felizmente, sua transmissão está restrita ao ambiente hospitalar, não havendo registros de infecções fora desse cenário.
A infecção pelo superfungo afeta principalmente pacientes graves, em unidades de terapia intensiva, e pode evoluir para casos severos ao atingir a corrente sanguínea. Sua identificação também apresenta desafios, já que frequentemente é confundido com outras espécies de Candida devido ao desconhecimento e às limitações nos métodos laboratoriais.
Descoberto pela primeira vez em 2009, no Japão, o Candida auris foi nomeado com base em sua localização inicial: “auris” significa “orelha” em latim, uma referência ao local onde foi detectado em um paciente. Desde então, mais de 5.000 casos foram reportados em todo o mundo, reforçando a urgência de vigilância e ações de controle nos hospitais.





