Localizada no sudoeste da Alemanha, no estado de Renânia-Palatinado, a base aérea americana de Ramstein é um importante centro logístico de abastecimento e reabastecimento das Forças Armadas dos EUA. (Reprodução)


O presidente Donald Trump retirará 5 mil militares americanos de suas bases na Alemanha, informou o Pentágono, em uma decisão que ressalta a crescente ruptura entre o governo dos EUA e seus aliados europeus mais próximos.

A decisão é amplamente vista como uma demonstração direta do descontentamento de Trump. No início desta semana, o presidente já havia ameaçado retirar tropas do continente, citando a falta de apoio dos parceiros europeus em relação à guerra em curso contra o Irã.

A redução do contingente também é interpretada como uma retaliação severa ao chanceler federal alemão, Friedrich Merz. O líder alemão atraiu a ira do presidente recentemente ao acusar o republicano de ter sido “humilhado” por Teerã durante negociações fracassadas para um acordo diplomático.

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Atualmente, os Estados Unidos mantêm sua maior presença militar na Europa em solo alemão, com quase 40 mil soldados na ativa. Essas forças estão distribuídas em uma rede de centros estratégicos, incluindo a Base Aérea de Ramstein, o quartel-general em Wiesbaden, as áreas de treinamento de Grafenwöhr e Hohenfels na Baviera, a base aérea de Spangdahlem e o complexo militar de Stuttgart.

Em Berlim, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, tentou minimizar o anúncio neste sábado, descrevendo a medida como “previsível”.

“A presença de soldados americanos na Europa, e especialmente na Alemanha, é do nosso interesse e do interesse dos EUA”, afirmou Pistorius à agência de notícias alemã DPA. Embora tenha buscado apaziguar os ânimos, o ministro deixou claro que a decisão não pegou o governo alemão de surpresa.

Pistorius observou ainda que é “evidente” que a Otan precisa se tornar “mais europeia” para manter a viabilidade da aliança transatlântica. “Nós, europeus, precisamos assumir mais responsabilidade pela nossa segurança”, disse ele, acrescentando que a “Alemanha está no caminho certo nesse sentido”.

A retirada ocorre após uma forte crítica disparada pela Casa Branca na quinta-feira, na qual Trump alertou Merz para que se preocupasse mais em “consertar” seu próprio país “destruído” e em acabar com a guerra na Ucrânia, em vez de “interferir” no conflito iraniano.

O presidente acusou o líder alemão de não apoiar a missão americana e sugeriu que o chanceler acredita ser “aceitável que o Irã tenha uma arma nuclear”. Em uma avaliação contundente, Trump acrescentou: “Não é à toa que a Alemanha está indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!”.

Embora Merz tenha apoiado inicialmente os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, sua postura tornou-se cada vez mais crítica com o passar do tempo, alimentando o embate público com Washington.

Trump tem criticado repetidamente os aliados europeus por não seguirem a linha de Washington e Tel Aviv. A guerra contra Teerã, iniciada em 28 de fevereiro, começou sem consulta prévia ou comunicação aos parceiros da Otan, um ponto de fricção significativa que continua a desgastar a aliança.