Publicamente, a Casa Branca afirma que a pressão sobre a Venezuela busca conter o narcotráfico. Nos bastidores, porém, o acesso às maiores reservas de petróleo do mundo é tratado como prioridade pelo governo Trump.
A líder da oposição María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, reforçou essa visão em conferência nos EUA. “Estou falando de uma oportunidade de US$ 1,7 trilhão”, disse, ao destacar o potencial energético e mineral do país. Desde o início do ano, Machado tem defendido a abertura total da indústria venezuelana às empresas americanas.
Trump já deixou claro seu interesse. Em discurso em 2023, afirmou que os EUA poderiam ter “assumido o controle” do petróleo venezuelano. A apreensão recente de um petroleiro que levava carga para Cuba e China mostrou a escalada da campanha contra Nicolás Maduro. A operação ocorreu após meses de ataques a embarcações, que deixaram ao menos 95 mortos.
A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do planeta, mais de 300 bilhões de barris. A China é hoje a principal parceira comercial no setor, alvo da estratégia americana de reduzir a influência da potência asiática no hemisfério.
Nos bastidores, Trump rejeitou proposta de Maduro para ampliar a presença de empresas dos EUA no setor. Assessores próximos, como Marco Rubio, defendiam a saída forçada do líder venezuelano e a ascensão de Machado, vista como mais favorável ao mercado americano.
A pressão incluiu sanções e apreensões de petroleiros, medidas para sufocar a principal fonte de receita da Venezuela. Especialistas afirmam que a estratégia mira diretamente o fluxo de caixa do país.
Maduro, por sua vez, apostava na parceria com a China. O país asiático já compra 80% do petróleo venezuelano e mantém contratos bilionários com a estatal PDVSA. Apesar da redução de investimentos diretos, empresas privadas chinesas seguem ampliando presença no setor.
Trump autorizou ainda operações secretas da CIA na Venezuela. Analistas alertam que a queda de Maduro pode gerar instabilidade semelhante à observada no Iraque e na Líbia após intervenções militares dos EUA, cenário que poderia afastar grandes companhias americanas e abrir espaço para empresas chinesas.



