André Luiz Petraglia*
Sem querer filosofar de mais, pensemos um pouco: o que é a verdade? Será que aos olhos do Corinthiano a verdade é a mesma do Palmeirense ou do Flamenguista? E quanto aos Cristãos, Muçulmanos, Budistas, Judeus ou ateus? Que tal carnívoros e veganos, sóbrios e ébrios, sulistas e nortistas, banqueiros e assalariados, esquerdistas ou direitistas? Dentro de nossas próprias casas as verdades são várias e, muitas vezes, divergentes. Nós mesmos somos capazes de pensar e dizer uma coisa pela manhã e nos contradizermos ao final do dia.
Que loucura é essa? Onde está a verdade, a verdadeira verdade? Será que ela existe integral, completa e imutável ou a grande verdade é que as verdades mudam de acordo com as fases da lua ou com o realinhamento dos planetas? Maluquice pensarmos assim, não é? Mas, parece que pensar em algo mais universal não tem funcionado muito ultimamente. O que conhecemos como o bem e o mal depende de cada ponto de vista, de cada circunstância, situação ou interesse. Hoje nos relacionamos com o mundo todo, temos acesso a culturas diferentes e muitos de nós temos nos questionado sobre qual caminho seguir, qual a orientação sexual ou psicossocial, qual a relevância da ética, da moral, dos valores e costumes.

Vivemos tempos angustiantes, tempos multi, inter, trans, in, out, super, hiper, mega, giga, tempos inenarráveis, incompreensíveis, inimagináveis. Uma vez que vêm sendo destruídos os sentidos de família, lar, escola, religião e pátria, as novas gerações têm acreditado em verdades desconexas, avulsas, individualistas, fúteis e fugazes. Este tem sido o novo mundo, o novo normal, a nova verdade.
Então, como pequenas ilhas ou minúsculas embarcações dispersas em um imenso oceano, precisamos nos manter firmes, precisamos continuar unidos, procurando remar na mesma direção, acreditando com fé e esperança na existência de uma verdade muito maior do que nossos olhos são capazes de enxergar pois, como diz aquela velha canção do grupo Tears For Fears: “Everybody wants to rule the world” (Todos querem mandar no mundo).
*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design.





