O ministro Kassio Nunes Marques toma posse nesta terça-feira (12) como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inaugurando a gestão que conduzirá o processo eleitoral de 2026. A cerimônia foi acompanhada por um jantar de adesão, ao custo de R$ 800 por convidado, organizado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). O modelo transfere o financiamento da celebração para a iniciativa privada e os próprios participantes, prática recorrente em Brasília, mas que reacende discussões sobre etiqueta institucional e transparência no Judiciário.
Institucionalidade e gestão
A posse marca uma inflexão em relação ao estilo de sua antecessora, ministra Cármen Lúcia, que evitou celebrações externas. Nunes Marques sinaliza aproximação com a magistratura federal, ao permitir que a Ajufe atue como responsável pela logística e comercialização dos convites. A entidade sustenta que a arrecadação garante o autofinanciamento do evento, argumento que não elimina o debate sobre a adequação da prática em tribunais superiores.
Desafios eleitorais
O novo presidente assume em um momento de consolidação da jurisprudência do TSE sobre desinformação e uso de inteligência artificial nas campanhas. Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro, Nunes Marques terá de equilibrar interlocução com o Congresso e manutenção do rigor técnico da Justiça Eleitoral. O protocolo de convites seguiu a liturgia da Corte, incluindo ex-chefes do Executivo. A presença de figuras como Bolsonaro e Fernando Collor, contudo, depende de autorização específica do ministro Alexandre de Moraes, relator das ações penais que os envolvem no STF.
Perfil e trajetória
Oriundo do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Nunes Marques integra o TSE desde 2021. Analistas jurídicos avaliam sua gestão como um teste para a estabilidade institucional da Justiça Eleitoral, em razão de sua postura garantista em temas de direito público e da ascensão rápida na capital federal. O ciclo que se inicia será decisivo para medir a capacidade da Corte em enfrentar os desafios tecnológicos e políticos que moldarão o pleito de 2026.





