O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, por ser “demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo ‘A Turma’”.
O grupo é investigado por ameaças, espionagem e acesso ilegal a sistemas do governo na Operação Compliance Zero.
Qual era o papel de Henrique Vorcaro
A representação da Polícia Federal, acolhida por Mendonça, situa Henrique “em posição de relevo como demandante dos serviços ilícitos e operador financeiro dos pagamentos destinados ao grupo”.
O ministro afirmou no despacho que os elementos “revelam atuação que se apresenta como estruturalmente relevante para a manutenção do grupo criminoso”.
Segundo o despacho, Henrique não era apenas pai de Daniel: “atuava em conjunto com o filho, em posição de colaboração direta, como solicitador e beneficiário dos serviços ilícitos prestados pelo grupo, além de exercer função própria e autônoma na engrenagem financeira voltada à sua sustentação”.
Pagamentos mensais de R$ 400 mil
Mendonça reproduz diálogos extraídos do celular de Marilson Roseno, apontado como líder operacional da “Turma”.
Em 6 de janeiro de 2026, Marilson cobra: “não o deixe ‘à deriva’, afirmando estar ‘segurando uma manada de búfalo’ e necessitar do pagamento ajustado”. Henrique responde que receberia recursos e que “imediatamente” enviaria “400”.
“Com base nesse diálogo, a Polícia Federal extrai a conclusão de que HENRIQUE exercia, de maneira clara, o papel de destinador de recursos para o financiamento da ‘Turma’, sendo o valor de R$ 400.000,00 compatível com a quantia que, segundo as investigações, era destinada mensalmente à manutenção do grupo”, escreveu o relator. Os repasses, diz a PF, eram feitos também por Fabiano Zettel.
Pedidos após operação da PF
O ministro destacou que Henrique continuou acionando o grupo mesmo depois da primeira fase da Compliance Zero, em 18/11/2025. Em 9/01/2026, ao não conseguir falar com Marilson, enviou mensagens insistindo e disse: “no momento em que estou é que preciso de vocês”. Para a autoridade policial, a frase é “referência direta ao grupo ‘A Turma’”.
“O dado é especialmente relevante porque demonstra, em tese, que, mesmo após o início ostensivo da investigação, HENRIQUE continuou recorrendo ao núcleo criminoso para a satisfação de seus interesses, o que revela contemporaneidade da atuação e persistência do vínculo funcional com a organização”, afirmou Mendonça.
Por que foi preso
Ao fundamentar a preventiva, o relator disse que a prisão se justifica “para garantia da ordem pública, da conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal”. Citou “gravidade concreta dos fatos, contemporaneidade da atuação criminosa, risco de reiteração dos ilícitos e potencial de embaraço às investigações”.
Mendonça concluiu que Henrique “não apenas se beneficiava dos serviços ilícitos da ‘Turma’, mas os solicitava, os fomentava financeiramente e permanecia em contato com seus operadores mesmo após o avanço ostensivo das investigações, revelando vínculo funcional intenso, contemporâneo e indispensável à manutenção do grupo criminoso”.
Além da prisão, o ministro determinou que os mandados sejam cumpridos “de maneira serena, respeitosa e discreta, sem qualquer espetacularização”. A decisão será levada a referendo da Segunda Turma do STF.





