O ministro André Mendonça, do STF, determinou a prisão preventiva de sete investigados na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias atribuídas ao grupo ligado ao Banco Master. A decisão atinge Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, e David Henrique Alves, apontado como líder do núcleo hacker “Os Meninos”.
“Trata-se de representação protocolizada pela Polícia Federal, por meio da qual se requer a decretação de medidas penais de natureza pessoal em face de investigados apontados como integrantes, financiadores, colaboradores ou agentes de apoio dos núcleos criminosos denominados ‘A Turma’ e ‘Os Meninos’”, escreveu Mendonça.
Os dois braços, segundo a PF, eram “vinculados, em tese, à organização criminosa integrada por DANIEL BUENO VORCARO”.
Prisões e alvos
A lista de prisões inclui ainda Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, Manoel Mendes Rodrigues, o policial federal Anderson Wander da Silva Lima e o PF aposentado Sebastião Monteiro Júnior.
Mendonça também proibiu cinco investigados de sair da comarca e do país, entre eles a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, afastada do cargo, e o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva. Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional da “Turma”, será transferido para o Sistema Penitenciário Federal.
Como agiam os núcleos
De acordo com o despacho, “A Turma” seria voltada “à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais”.
Já “Os Meninos” teria “perfil eminentemente tecnológico e seria vocacionado à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal”.
Ambos eram, “à época dos fatos, gerenciados por Felipe Mourão, conhecido como ‘Sicário’”, que morreu na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte.
Pai do banqueiro financiava grupo
Sobre Henrique Moura Vorcaro, o ministro afirma que ele é apontado “como demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo ‘A Turma’”. O despacho reproduz diálogos em que Henrique, após a primeira fase da operação, insiste com Marilson Roseno: “no momento em que estou é que preciso de vocês”. Em outra mensagem, ao tratar de repasses, diz que “imediatamente” enviaria “400”, referência a R$ 400 mil. Para a PF, o valor “era destinada mensalmente à manutenção do grupo”.
Núcleo hacker e fuga com computadores
David Henrique Alves, segundo Mendonça, “figura, em tese, como líder do núcleo ‘Os Meninos’”.
Ele seria “remunerado por FELIPE MOURÃO, em valor mensal aproximado de R$ 35.000,00”.
Na noite de 4 de março de 2026, dia da 3ª fase da operação, David foi flagrado dirigindo carro de Felipe Mourão com “um computador grande de mesa, dois ou três notebooks, caixas e malas”, em “contexto interpretado como indicativo de fuga e de possível ocultação ou destruição de provas”.
Infiltração na PF
A decisão destaca a participação de policiais. Anderson Wander, agente da ativa, “realizava ou articulava consultas indevidas em sistemas internos da corporação, repassando a MARILSON dados reservados”.
Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada, “acessou, sem justificativa funcional, o Inquérito Policial nº 2023.0064343” e, com Francisco José, “repassou, diretamente ou por intermédio”, informações a Marilson.
Por isso, Mendonça determinou o afastamento de Valéria e proibiu os dois de ter contato com policiais e de acessar dependências da PF.
Fundamentos da prisão
Ao justificar as prisões, o relator citou “prova da materialidade, indícios suficientes de autoria e necessidade concreta para garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou asseguramento da aplicação da lei penal”.
Para ele, há “estrutura criminosa estável, com divisão de tarefas, uso de violência ou grave ameaça, infiltração em órgãos públicos, ataques cibernéticos e continuidade delitiva mesmo após fases ostensivas da operação”.
O ministro ressaltou que “a liberdade dos investigados compromete, assim, de modo direto, a efetividade da investigação e a futura aplicação da lei penal”. E concluiu: “DECRETO A PRISÃO PREVENTIVA DOS INVESTIGADOS: (i) HENRIQUE MOURA VORCARO, (ii) DAVID HENRIQUE ALVES, (iii) VICTOR LIMA SEDLMAIER, (iv) RODRIGO PIMENTA FRANCO AVELAR CAMPOS, (v) MANOEL MENDES RODRIGUES, (vi) ANDERSON WANDER DA SILVA LIMA e (vii) SEBASTIÃO MONTEIRO JÚNIOR”.
Próximos passos
Mendonça ordenou que os mandados sejam cumpridos “de maneira serena, respeitosa e discreta, sem qualquer espetacularização”. As audiências de custódia ocorrerão em até 24h. A decisão será levada a referendo da Segunda Turma do STF. O caso mira rede que, segundo a PF, movimentou até R$ 12 bilhões em fraudes e ocultou R$ 2,5 bilhões ligados à família Vorcaro.
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