da Redação
07 junho 2026
ONS corta geração pela primeira vez para conter excesso de energia.
O Brasil está diante de um paradoxo energético: sobra eletricidade. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) acionou neste domingo (7) um plano emergencial criado para reduzir a produção de energia, diante da previsão de oferta muito superior à demanda. A medida inédita busca evitar desequilíbrios que poderiam derrubar linhas de transmissão e provocar apagões.
“Segue também atento à nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema”, afirmou o ONS em nota.
A regra, aprovada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em novembro de 2025, nunca havia sido usada. O sistema elétrico exige equilíbrio permanente entre geração e consumo. Quando a produção dispara em relação à carga, aumenta o risco de desligamento automático de equipamentos.
Razões do excesso
- Baixa carga prevista: domingos ensolarados reduzem o consumo, já que a atividade econômica é menor.
- Explosão da geração solar: pequenos e microgeradores fotovoltaicos produzem em alta justamente quando o sistema menos precisa.
- Diversificação da matriz: além da solar, pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e eólicas de menor porte também podem ser desligadas.
Como funciona o plano
O ONS monitora o sistema com até sete dias de antecedência e emite alertas preliminares. Na véspera, confirma a necessidade de restrição e define o montante de energia a ser cortado. As distribuidoras, não o operador, escolhem quais usinas serão desligadas, seguindo critérios de maior previsão de geração e rodízio para evitar penalizar sempre os mesmos agentes.
Quem corta
Entre 10h e 14h, 12 distribuidoras — incluindo CPFL Paulista, Cemig, Copel, Neoenergia, Celesc e Energisa — estao executando os cortes. Juntas, concentram cerca de 80% da potência das usinas sem gestão centralizada pelo ONS.
Reação do setor
A Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia) declarou que as empresas estão preparadas para aplicar o plano, mas alertou:
“A ausência de critérios claros pode trazer insegurança jurídica para todo o setor elétrico”, disse a
Abradee, em nota.