da Redação
05 junho 2026
PF mira fundo no Texas que financiou filme sobre Bolsonaro.
A Polícia Federal avalia pedir a quebra de sigilo do fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas, que recebeu aportes milionários do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Segundo investigadores, há indícios de que parte dos recursos tenha sido desviada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e para financiar ações contra autoridades brasileiras.
O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, conhecido por ser próximo de Eduardo Bolsonaro.
Documentos obtidos pela PF mostram que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, repassou cerca de R$ 61 milhões ao Havengate.
“Há elementos que indicam que o dinheiro não se destinou apenas à produção cinematográfica”, afirmou um delegado que acompanha o caso.
As apurações indicam que Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde fevereiro de 2025, teria se beneficiado dos repasses.
“Os valores podem ter sido usados para custear despesas pessoais e para articular ações de pressão contra autoridades brasileiras”, disse um delegado.
A PF estuda acionar a Interpol por meio da Difusão Prata para rastrear patrimônio e movimentações internacionais.
Em delação premiada, ainda em análise, Vorcaro teria confirmado os aportes e incluído novos personagens na trama. “Os recursos foram direcionados ao fundo no Texas, com promessa de até R$ 134 milhões”, teria relatado. O banqueiro é dono do Banco Master, já investigado em outros inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio Bolsonaro admitiu que houve patrocínio do Master ao filme, mas negou irregularidades. “Os aportes foram destinados exclusivamente à produção, com fiscalização nos EUA”, disse.
Eduardo Bolsonaro também negou ter recebido dinheiro do fundo. “Meu status migratório não permite esse tipo de repasse”, afirmou.
A Procuradoria-Geral da República deve se manifestar sobre a competência para conduzir o caso. O processo pode ser vinculado ao inquérito do Banco Master, sob relatoria de André Mendonça, ou ao inquérito conduzido por Alexandre de Moraes, que já apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Investigadores apontam ainda suspeita de evasão fiscal, já que os recursos teriam transitado por paraísos fiscais antes de chegar ao fundo no Texas. “O caminho do dinheiro precisa ser esclarecido”, disse agente. O avanço da investigação, porém, depende da cooperação das autoridades norte-americanas.
O caso amplia o cerco sobre o financiamento de iniciativas ligadas ao bolsonarismo e pode abrir novo inquérito específico no STF.
ara investigadores, o episódio revela como recursos privados foram usados em operações políticas transnacionais. “Não se trata apenas de um filme, mas de uma engrenagem de poder”, resumiu um delegado.
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