da Redação
07 junho 2026
Super El Niño ameaça Brasil e mundo com extremos climáticos.
A ONU e a Organização Meteorológica Mundial alertam que um novo El Niño poderá se formar nas próximas semanas, intensificando o aquecimento global e ampliando os riscos de extremos climáticos.
O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Tropical, altera padrões de vento e chuva em escala planetária.
Quando a anomalia ultrapassa +2°C, é classificado como “Super El Niño”. Modelos da NOAA e do ECMWF indicam que 2026 pode registrar um episódio dessa magnitude.
Histórico de catástrofes
Em 1877, um El Niño excepcional provocou uma das maiores crises humanitárias do século XIX, com milhões de mortes por fome e doenças.
No Brasil, o Nordeste sofreu estiagem devastadora. Mais recentemente, o El Niño de 2023/2024, considerado “forte”, levou à maior seca recente, incêndios recordes na Amazônia e Pantanal, branqueamento de corais e enchentes históricas no Rio Grande do Sul.
Evidências científicas
Dados de satélites e boias mostram uma onda incomum de água quente, mais de 6°C acima da média, atravessando o Pacífico.
Michelle L’Heureux, da NOAA, afirma que “o calor dessas águas se compara com alguns dos eventos El Niño mais fortes já observados”.
Adam Scaife, do Serviço Meteorológico do Reino Unido, acrescenta: “Pode até ser um evento recorde”.
Impactos globais
Os efeitos variam conforme a região. Na América do Sul, há risco de seca na Amazônia e Nordeste, e chuvas intensas no Sul do Brasil.
Na Austrália, seca severa; na Índia, enfraquecimento das monções; no Chifre da África, condições mais secas; e no sul dos EUA, enchentes.
Na Europa, os impactos são menos previsíveis, mas o inverno britânico pode começar moderado e terminar frio.

Brasil em alerta
Segundo o CEMADEN, os efeitos esperados incluem redução de chuvas e temperaturas mais altas no Norte e Nordeste, afetando hidrelétricas nas bacias do Xingu, Madeira e Tocantins-Araguaia.
No Pantanal e Amazônia, há risco elevado de incêndios florestais. No Sul, chuvas intensas entre setembro e dezembro, com Porto Alegre em atenção máxima.
No Sudeste e Centro-Oeste, ondas de calor combinadas com baixa umidade.
No oceano, branqueamento de corais já foi registrado em Maracajaú (RN) e Todos os Santos (BA).
Consequências econômicas
Eventos passados foram associados a alta dos preços dos alimentos e prejuízos de centenas de bilhões de dólares.
O Banco Central brasileiro reconheceu o impacto inflacionário do El Niño sobre produtos in natura. Famílias de baixa renda são as mais afetadas, pois comprometem grande parte do orçamento com despesas básicas.
O papel do aquecimento global
Embora o El Niño seja natural e cíclico, seus efeitos são amplificados pelo aquecimento global. Os oceanos absorvem a maior parte do calor gerado pelas emissões de combustíveis fósseis e desmatamento.
Florestas degradadas perdem a capacidade de regular temperatura e umidade, aumentando o risco de incêndios.
“Nunca vivenciamos o El Niño em um planeta já tão aquecido”, destaca Zeke Hausfather, do Berkeley Earth. Ele prevê que “2027, muito provavelmente, será o ano mais quente já registrado”.
O que precisa ser feito
Segundo a plataforma AdaptaBrasil, dois em cada três municípios brasileiros têm baixa capacidade adaptativa às mudanças climáticas.
Especialistas recomendam investir em adaptação climática e prevenção de desastres, fortalecer sistemas de defesa civil e monitoramento climático, proteger ecossistemas marinhos e costeiros, recuperar áreas urbanas com infraestrutura verde e azul e garantir participação das comunidades vulneráveis nas decisões.